domingo, 11 de julho de 2010

Os reinos cristãos da Península Ibérica que mais se destacaram na reconquista de território aos Árabes foram os reinos de Leão e Castela.

À medida que os cristãos iam expulsando os Árabes, as terras reocupadas eram doadas como recompensa aos cavaleiros que, com os seus exércitos, muito contribuíram para as vitórias dos Cristãos.

Foi assim que, em 1096, o conde D. Henrique, um cavaleiro nobre da família dos Duques de Borgonha (França), casado com D. Teresa, filha de D. Afonso VI, rei de Leão, recebeu o Condado Portucalense. Tinha como obrigações manter a obediência e o apoio militar ao reino de Leão e a defesa e expansão do território do Condado, bem como a colonização por Cristãos dos novos territórios conquistados.

O regente do Condado Portucalense, o Conde D. Henrique, alargou as fronteiras do seu condado, mas queria sobretudo torna-lo independente do reino de Leão. Porém morreu em 1112, quando D. Afonso tinha só três anos de idade, sem cumprir o que pretendia.

Foi a D. Teresa que ficaram entregues os destinos do reino. Primeiro ela tentou fazer o que o marido pretendia, mas mais tarde decidiu aliar-se ao reino da Galiza, o que não agradou a alguns nobres aliados do condado.

O seu filho D. Afonso Henriques, que se armou cavaleiro aos catorze anos, estava em 1128, à frente dos exércitos dos nobres defensores da independência do Condado, face à ameaça da anexação pela Galiza. Nessa altura D. Afonso Henriques revoltou-se e pegou em armas contra os partidários da sua mãe. A contenda com D. Teresa, teve o desfeixo num campo perto de Guimarães, onde D. Afonso Henriques venceu as tropas adversárias na batalha que ficou conhecida como a Batalha de São Mamede.

A educação de D. Afonso Henriques foi muito marcada pela relação que estabeleceu com Egas Moniz, o seu aio e um importante fidalgo (O aio era a pessoa de confiança responsável pela educação de um nobre).

Foi a partir da Batalha de São Mamede que D. Afonso Henriques começou a lutar para que o Condado Portucalense fosse um reino independente, dando assim continuidade aos projectos do seu pai.

O futuro rei tinha, no entanto, de se preocupar com os ataques dos reinos de Leão e Castela (contra as forças do seu primo o rei Afonso VII de Leão e Castela), e com os Mouros, que continuavam a ameaçar as suas fronteiras a sul. Nessa altura, decidiu consolidar e expandir o território, ao mesmo tempo que pedia à Santa Sé em Roma, para confirmar a existência do novo reino de Portugal (só mais tarde, em 1179 o papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, confirma e reconhece Portugal como país independente e soberano protegido pela Igreja Católica).

Em 1139, D. Afonso Henriques obteve uma grande vitória sobre os exércitos mouros na Batalha de Ourique, começando ele próprio a usar o título de rei de Portugal desde essa data. D. Afonso Henriques passou também a assinar todos os documentos oficiais como rei, e não como conde, como fazia até então.

Nasceu então, em 1139, o reino de Portugal e sua primeira dinastia e Casa Real (casa real de Borgonha), com o rei Afonso I de Portugal até então conhecido como D. Afonso Henriques.

Em 1143 celebrou-se o Tratado de Zamora, um tratado de paz com o rei de Leão, em que este reconheceu o reino de Portugal.

D. Afonso Henriques, no seu reinado, ainda conquistou Santarém, Lisboa, Almada, Palmela, Alcácer do Sal e Évora. Faleceu em 1185, com 76 anos, uma idade a que, na época, muito poucos chegavam.

D. Sancho I, seu filho, sucedeu-lhe e preocupou-se, no seu reinado, em povoar o País atraindo população para as zonas recém-conquistadas, atribuindo cartas de foral a muitos concelhos.

D. Sancho I deu também terras a ordens religiosas e militares que tinham ajudado a combater nas batalhas, fazendo assim com que esses territórios prosperassem.

O terceiro rei de Portugal, D. Afonso II, em 1211, convocou as primeiras cortes, em Coimbra, para aprovar leis iguais para todo o território português.

Em 1249, com o rei D. Afonso III, o Algarve foi finalmente conquistado aos Mouros, ficando assim o território continental de Portugal com as fronteiras semelhantes às que existem hoje.

Significados

· A carta foral (ou apenas o foral) era um documento do rei que indicava as regras que uma localidade tinha de seguir para administrar, obtendo assim autonomia para se organizar e conseguir muitos benefícios.

· As ordens religiosas e militares ajudavam o rei com os seus soldados e, em tempo de paz, geriam terras, mosteiros e castelos, protegendo as populações e ajudando a fixa-las. Eram as seguintes: Hospitalários, Templários, Calatrava e Santiago de Espada.

As cortes eram uma assembleia entre o rei e os representantes da nobreza e do clero das principais vilas e cidades do reino, pois até aí cada região ou localidade seguia regras diferentes para impostos, feiras, justiça, leis, etc. Consoante a vontade dos grandes senhores, as regalias dadas pelas cartas de foral, os costumes e tradição.

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